ISSN electrónico: 2007-8951
Volumen 48/ Número 189, abril-junio 2017

Para uma economia política da concorrência. A empresa trasnacional

Raúl Ornelas

No presente artigo se estabelece um diálogo entre três propostas de análises da concorrência entre empresas; bem como o papel que nela jogam instituições, economias e sociedades envolvidas. Estas interpretações contribuem com elementos para enriquecer a economia política da concorrência, tomando como eixo o exercício do poder que implica a ação das empresas, em particular a das grandes corporações que modelam o mundo contemporâneo.

Mots clés: concorrência econômica, empresas multinacionais, correntes globais de valor, custos de transação, teoria da empresa.

Desemprego na América Latina: ¿flexibilidade trabalhista ou acumulação de capital?

Luis Fernando García y Moritz Cruz

O desemprego na América Latina teve uma diminuição substancial durante o período 2000-2013. Desde o ponto de vista teórico convencional, o anterior seria consequência das reformas orientadas a flexibilizar do mercado de trabalho. Por outro lado, a visão pós-keynesiana sustentaria que a queda da taxa de desemprego se deve ao aumento da acumulação de capital. O presente documento tenta conhecer qual destas visões teóricas é apoiada pela evidência empírica. Os resultados do panel de dados sugerem que a acumulação de capital é a variável que explica em maior medida o desempenho do desemprego. A recomendação de política desta evidência é manter em crescimento o investimento através de instrumentos que estimulem a demanda efetiva.

Mots clés: desemprego, mercado de trabalho, dados de painel, teoria pós-keynesiana, teoria neoclássica.

Recessões do México nos albores do século xxi

Pablo Mejía Reyes, Miguel Ángel Díaz Carreño, Reyna Vergara González

No presente trabalho se utiliza um enfoque episódico para contrastar as causas, os mecanismos de transmissão e as respostas de política das recessões apresentadas durante os anos 2001-2003 e 2008-2009 no México e explicar, assim, suas diferentes características. Ambas as recessões se derivaram de borbulhas especulativas de sectores específicos de Estados Unidos e geraram episódios análogos na economia mexicana como consequência de seu alto grau de integração. Não obstante, a primeira foi mais longa pelos choques exógenos (ataques terroristas e entrada da China à Organização Mundial de Comércio (omc)) que acentuaram a queda da manufatura, e a segunda mais profunda devido aos efeitos do colapso do crédito. Esta evidência mostra os limites da política econômica nacional e a alta vulnerabilidade da economia mexicana aos choques externos.

Mots clés: recessão econômica, ciclos econômicos, políticas de ajuste, indicadores econômicos, Estados Unidos.


Financeirização e setor rodoviário no México

José Enrique Mendoza

A financeirização tem transformado o gasto público em garantia de rendas financeiras. Uma das expressões deste processo é a despesa pública associada ao capital privado como suporte da titulação de ativos públicos. No caso do setor rodoviário, o financiamento estruturado reduz a disponibilidade de recursos públicos, permite a realização de novas fontes de lucro para o capital monopólico financeiro e encarece o custo da infraestrutura. O objetivo do trabalho é analisar como operam as Associações Público Privadas (APP) no setor rodoviário mexicano.

Mots clés: infraestrutura, setor rodoviário, capital privado, ativos públicos, Autopista Tenango-Ixtapa de la Sal


O agro no Uruguai: renda da terra, remuneração do trabalho e lucros

Gabriel Oyhantçabal, Martín Sanguinetti

Desde o ano de 2002, o setor agropecuário do Uruguai atravessou intensas transformações num contexto de altos preços das commodities e fluxos de investimento estrangeiro. A presente pesquisa estudou uma dimensão não abordada destas mudanças unida a seus impactos na distribuição da renda, contribuindo à literatura recente nesta matéria. No período 2000-2015 se analisou a distribuição da renda por fonte de remuneração (remuneração do trabalho, lucro e renda do solo), e por classe social incluindo ao Estado. Os resultados mostram que os proprietários de terras foram o sujeito que mais incrementou sua apropriação de valor, cresceu levemente a massa salarial e não se modificou a participação estatal no valor agropecuário nem na renda da terra.

Mots clés: setor agropecuário, remuneração do trabalho, renda da terra, mais-valia, Estado.


Renda extrativa e a mineração do cobre no Peru

Yuri Landa

Como parte de uma abordagem pautada na sustentabilidade fraca, este artigo avalia se a renda gerada pela mineração de cobre tem resultado em melhorias na infraestrutura educacional, saúde e estradas em áreas extrativistas do Peru, tanto a nível distrital como departamental, entre 2004 e 2013. Os resultados mostram que os locais de extração sim puderam melhorar a infraestrutura mencionada mais que os demais locais, embora em pequenas quantidades. Este efeito fraco estaria ligado à visão limitada da sustentabilidade do Estado e a um processo de regionalização ainda em construção.

Mots clés: infraestrutura, recursos naturais não-renováveis, mineração de cobre, transferências intergovernamentais, provisão de bens públicos.


Desincorporação da terra coletiva e sistema urbano na China 1990-2015

Liu Xuedong

A urbanização é um processo indispensável para conseguir a modernização de uma economia, e com ela esperar-se-ia potencializar ainda mais o crescimento através de transladar os fatores produtivos desde os setores tradicionais com baixo nível de produtividade até os mais dinâmicos e ao mesmo tempo os concentrar paulatinamente nas áreas urbanas. Num país como a China, onde há uma dualidade dominante no sistema de posse da terra, por um lado, a que está localizada em áreas rurais é de propriedade coletiva e é destinado para atividades agrícolas; por outro lado, o solo que está localizado nas cidades é de propriedade estatal com fins urbanos.

Mots clés: urbanização, posse da terra, população urbana, cidades, desincorporação de terras coletivas.